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São Francisco de Assis, a casa comum e a medicina da terra

  • Foto do escritor: Acácio Morais
    Acácio Morais
  • 4 de out. de 2025
  • 2 min de leitura

04 de Outubro - Dia de São Francisco de Assis


Neste mesmo dia, em uma época onde o materialismo começava a traçar suas primeiras linhas na Europa medieval, na virada do século XII para o XIII, surgiu em Assis, Itália, um jovem chamado Giovanni di Pietro di Bernardone. Um filho de comerciante rico, destinado ao luxo, que reescreveu seu próprio destino ao se tornar Francisco de Assis, o Poverello (pobrezinho). Seu ato de renúncia não foi apenas um desapego à riqueza, mas um manifesto radical de que a verdadeira dignidade reside na simplicidade e no respeito à criação.

O cerne da espiritualidade franciscana é o amor incondicional a todas as criaturas e elementos. Enquanto a sociedade da época via a natureza como um recurso a ser dominado, Francisco a eleva à categoria de "Irmã".

"Louvado sejas, meu Senhor, por todas as tuas criaturas, especialmente pelo Senhor irmão Sol, que clareia o dia e, por sua beleza, nos encanta." (Trecho adaptado do Cântico das Criaturas).

Este Cântico das Criaturas, composto no final de sua vida, quando Francisco já estava cego e sofrendo de doenças, é o documento que melhor traduz sua filosofia. Nele, a água é "Irmã Água", o fogo é "Irmão Fogo" e até mesmo a morte é tratada com afeto como "Irmã Morte Corporal". Esta é a chave da leitura: toda a existência é uma grande família a ser amada e cuidada.


A raíz da cura na terra de Francisco


Na Idade Média, a cura vinha das mãos dos raizeiros e do conhecimento empírico das plantas. Francisco, ao abraçar a pobreza e conviver com os mais vulneráveis, estava imerso em uma cultura onde a dependência dos recursos naturais e das ervas medicinais era total, conforme indicam estudos sobre a "ciência da experiência" franciscana. Sua ordem incentiva o contato direto com o nosso real.

O legado franciscano, que se estendeu até o Brasil colonial, inspirou a criação de "ervanários" espaços de cuidado e de saúde popular baseados no poder curativo dos vegetais. Um exemplo contemporâneo, o Ervanário São Francisco de Assis (em referência ao santo), carrega essa chama viva através de Dona Tantinha, que encontrou-se na resistência agroecológica.


O chamado à casa comum


A história de São Francisco é um pilar espiritual e natural. Francisco é o patrono da ecologia, declarado pelo Papa João Paulo II. Isso legitima a causa de tratar a natureza — e, por consequência, o cultivo de todas as plantas medicinais, com o máximo respeito, exigindo práticas agroecológicas que garantam a pureza e a ausência de venenos no medicamento. 

A lição do Poverello não é apenas histórica; é um convite atemporal. Em um mundo onde a procedência e a segurança dos medicamentos devem estar acima de tudo. A escolha por um tratamento que honra o solo, a pureza e a vida, é um ato de espiritualidade e de profundo bem-estar.


Fontes e referências

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